28 de janeiro de 2014

O "mundo" em que vivemos.

Basta uma pequena e simples reflexão sobre o que nos rodeia para percebermos que não temos, de todo, o melhor modo de vida. Vivemos num mundo em que a aparência vale muito, muito mesmo. Vivemos num mundo em que a quantidade de algarismos que uma dada pessoa apresenta na sua conta bancária é que importa. Vivemos num mundo em que a marca da roupa vale mais que o modo como essa pessoa interage. Vivemos num mundo em que as posses e os bens valem mais do que a personalidade!
Mas, questiono-me, que lugar ocupam os valores interiores? Onde pertencem os ensinamentos que, independentemente de já fabricados ou não, moldam as nossas atitudes? Que lugar ocupam os nossos sentimentos mais íntimos?
  É verdade que a aparência importa, mas do que nos vale uma cara/corpo bonita(o) quando no fundo o seu comportamento revela, por exemplo, egoísmo e demasiada vaidade?!

27 de janeiro de 2014

Morte

No último mês tenho-me questionado imenso sobre a morte, não a minha – não é algo que me assuste extremamente – mas na das pessoas que me são queridas, talvez por ultimamente ter de lidar com pessoas que estão a passar por isso e de quem gosto. Tenho pensado se é justo para quem fica ou para quem parte e no porquê.
Não costumava pensar na morte porque acho que há sempre imenso para viver, independentemente da idade ou do que já se fez. Acho que existe sempre algo que falta fazer ou pelo menos acho que não é justo, para ambas as partes, que alguém parta sem se despedir e é isso, é isso que acho que falta sempre fazer. É também isso que me assusta na morte. A última palavra é sempre a que nos ajuda a seguir em frente e no caso da morte não existe última palavra. A última palavra pode ser uma conversa banal ou uma discussão, nunca ou pelo menos são raros os casos (digo eu), em que a última conversa é uma despedida. 
Digo que é isso que me custa principalmente porque a despedida só por si marca o fim, não o fim de um sentimento porque muitas vezes é nas despedidas que se mostra maior amor ou maior afectividade, mas o fim de qualquer coisa – o fim do dia, o fim de uma etapa nalgum lugar, a morte. E quando existe uma despedida, existe sempre a convicção de que tem de se seguir em frente de alguma forma, existe sempre a paz da certeza de que tinha de ser assim, existe possivelmente alguma indicação de como continuar adiante. E sem despedida não existe nada, existem talvez sinais mas não certezas. Existem dúvidas (tais como as que eu tenho agora) e as suas respostas são uma questão de introspecção, não existe ninguém que as possa encontrar por nós nem que possa seguir em frente por nós.

25 de janeiro de 2014

Serei? Terei?

"Ainda tens muito que crescer!". "Cresce e (des)aparece!". "O saber leva tempo a crescer!".
Mas afinal... o que é crescer? Será que eu cresci? Não em termos de tamanho, claro; até porque a julgar pelo meu mísero metro e meio, penso que a resposta é óbvia. Refiro-me, pois, em termos de interior. Será que o meu ego cresceu? Será que eu cresci "por dentro"?
Por vezes, sinto que parei no tempo. Como se tivesse simplesmente estagnado. Olho para trás e ali estou eu: imóvel, petrificada. Pergunto-me "que fiz eu para poder dizer que cresci?". De facto, não encontro resposta que me valha. Se bem que esta questão assemelha-se bastante a outra que, de um tanto a quando, me inquieta: a minha existência. "Por que é que existo?". "Para que é que nasci?". "Para que vivo?". Não obtenho respostas; porém, constato que sou um núcleo de enigmas, todos sobrepostos uns aos outros, sem resolução nem pistas. Enigmas esses que se multiplicam, dia após dia, e surgem por meio de perguntas; também elas sem resposta. Vou-as guardando no pensamento.
Sou cheia de icógnitas, desde a mais ínfima partícula da minha pele até ao mais profundo pedaço da minha alma. (Alma?!)
De quando a quando, lá bem no fundo do meu pequeno coração de manteiga, sinto-me triste. Angustiada. Incompreendida. Bem, mas que exigência a minha! Afinal, como poderia alguém entender-me, se nem eu própria o sei fazer? Ironias da vida... esperamos compreensão quando, muitas das vezes, nem sequer a sabemos demonstrar - não no meu caso. Aliás, penso que mostrar compreensão é das melhores coisas que sei fazer, para minha fortuna - mas compreender-me... bem, acho que fica para amanhã.