27 de janeiro de 2014

Morte

No último mês tenho-me questionado imenso sobre a morte, não a minha – não é algo que me assuste extremamente – mas na das pessoas que me são queridas, talvez por ultimamente ter de lidar com pessoas que estão a passar por isso e de quem gosto. Tenho pensado se é justo para quem fica ou para quem parte e no porquê.
Não costumava pensar na morte porque acho que há sempre imenso para viver, independentemente da idade ou do que já se fez. Acho que existe sempre algo que falta fazer ou pelo menos acho que não é justo, para ambas as partes, que alguém parta sem se despedir e é isso, é isso que acho que falta sempre fazer. É também isso que me assusta na morte. A última palavra é sempre a que nos ajuda a seguir em frente e no caso da morte não existe última palavra. A última palavra pode ser uma conversa banal ou uma discussão, nunca ou pelo menos são raros os casos (digo eu), em que a última conversa é uma despedida. 
Digo que é isso que me custa principalmente porque a despedida só por si marca o fim, não o fim de um sentimento porque muitas vezes é nas despedidas que se mostra maior amor ou maior afectividade, mas o fim de qualquer coisa – o fim do dia, o fim de uma etapa nalgum lugar, a morte. E quando existe uma despedida, existe sempre a convicção de que tem de se seguir em frente de alguma forma, existe sempre a paz da certeza de que tinha de ser assim, existe possivelmente alguma indicação de como continuar adiante. E sem despedida não existe nada, existem talvez sinais mas não certezas. Existem dúvidas (tais como as que eu tenho agora) e as suas respostas são uma questão de introspecção, não existe ninguém que as possa encontrar por nós nem que possa seguir em frente por nós.

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