Não sei por onde começar porque não consigo definir o que estou a sentir.
Parece que me foi arrancado um pedaço do coração, como que se o meu mundo tivesse desmoronado, como se eu fosse um conjunto de cacos. Tal e qual um puzzle em que faltam peças.
Todas as palavras de carinho que me são ditas não me reconfortam, fazem-me chorar, magoam-me. Fazem-me remexer em algo que me mata, que me fere por dentro, algo que, aos poucos, quero conseguir esquecer. Não é esquecer definitivamente, porque isso é impossível, é esquecer momentaneamente.
Por mais que tente e que me esforce não consigo lidar com o rumo que a minha vida leva. Sinto que estou fraca, e eu tento ser forte como me dizem para ser, mas a verdade é que parece que já não sei o que é ser forte.
A minha cabeça não consegue assimilar que perdi alguém. Alguém que, para mim, significava tudo. Alguém que me fazia feliz e que eu fazia feliz. Alguém que tinha perspectivas bastante distintas das minhas devido à sua idade. Alguém que era capaz de ir ao fim do mundo e voltar, por mim. Alguém que era uma referência paternal. Alguém por quem estava disposta a lutar até ao fim.
Só que o destino surpreendeu-me, ou melhor, surpreendeu-nos. Ninguém estava à espera. Só mesmo esse alguém. Um alguém cansado de sofrer, cansado de batalhar contra uma dor agoniante e horrível, cansado de fingir que estava- sempre- bem. Contudo, agora quem luta contra a dor, sou eu. A dor de saber que já não posso ouvir mais aquela voz, ver aquele brilho nos olhos, sentir aquele toque daquela pele, ver aquele sorriso, sentir aquele cheiro, porque, passe o tempo que passar, eu vou entrar naquela casa e esperar vê-lo ali, sentado, como sempre. E é isso que me corrói. Saber que já não está ali.
Seria egoísta se ainda quisesse que aqui estivesse, estava a sofrer. Eu sei que foi melhor assim, eu sei. Apenas não sei é lidar com isso- ainda.
Mas há algo que jamais me irão conseguir tirar. As memórias. Essas, guardo-as no meu coração. E recordo-as todos os dias, por enquanto com uma lágrima a correr pelo rosto. Mais tarde, quando tudo arrefecer, recorda-las-ei com um sorriso nos lábios.
Eu sei que vai faltar sempre algo na minha vida. Um lugar que jamais será preenchido. Um vazio no meu coração.
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